terça-feira, 14 de abril de 2026

Nem céu, nem inferno, nem umbral. Para onde vão os umbandistas após o fenômeno do desencarne?

 


Pergunte à maioria dos umbandistas de hoje se não receberam catequização, ao menos na infância. Sem dúvida, a grande maioria lhe responderá que sim. Talvez aí já esteja explicado grande parte das crenças e do imaginário de nosso público. Ainda imersos nas descrições clericais da vida pós-morte – sem mencionar o contexto protestante, que tudo faz para apagar a crença na imortalidade, supondo uma possível ressurreição dos corpos, parecida com os dogmas católicos; mas pior ainda: a graça mediante apenas a aceitação de Jesus, nem que seja no último minuto de vida terrena, mesmo que esta tenha sido uma sucessão de erros, pecados, desgraças alheias e tudo mais que o ser humano é capaz de cometer. O principiante umbandista, incapaz de estudar e aprender por si, apenas troca os nomes: deixa de temer o inferno, mas passa a temer o umbral, almeja o céu, que agora passa a se chamar Aruanda.

O senso comum produz estas aberrações, propagadas pelos umbandistas, estes que deveriam ser os primeiros a mostrar sua crença firme na imortalidade. Contudo, a transferência natural destas crenças milenares, que pregam céus, infernos e purgatórios, onde o sofrimento impera e castiga, nos parecem naturais frente a uma doutrina que não tem mais de 115 anos.

A filosofia umbandista, que tem na doutrina dos espíritos sua expressão, encontra naquele que foi o codificador, Allan Kardec, a explicação do próprio professor, que sabia ser necessário esclarecer minuciosamente o quadro do novo mundo espiritual que se descortinava. A obra “O Céu e o Inferno”, publicada em Paris, a primeiro de agosto de 1865, traz toda explicação. Porém, há uma particularidade pouco lembrada quanto aos dogmas da igreja. Segundo eles, o sofrimento dos infernos é físico, na pele mesmo. O condenado deve sentir o calor do fogo, o queimar das carnes, o penetrar dos tridentes, a pressão e o trucidar das correntes. Mas quando são enviados aos infernos, esses condenados ainda são – como explica Kardec quanto à concepção da igreja – sem corpo, pois esse morreu e se desfez neste mundo.

Os condenados, presentemente no inferno, podem ser considerados puros Espíritos, uma vez que só a alma aí desce, e os restos entregues à terra se transformam em ervas, plantas, minerais e líquidos, sofrendo inconscientemente as metamorfoses constantes da matéria. (O céu e o Inferno, página 53).

Não se pode esquecer-se desse processo, quando se trata da doutrina da igreja! No momento da morte, ninguém sofre ainda. Só depois, quando Deus destruir este mundo e, no juízo final, restituir os corpos, agora imortais, mas feitos igualmente de carne e ossos, para que o sofrimento no inferno seja físico, real, fisiológico. Desse modo, continua Kardec:

“Os eleitos ressuscitarão, contudo, em corpos purificados e resplendentes, e os condenados em corpos maculados e desfigurados pelo pecado. Isso os distinguirá, não havendo mais no inferno puros Espíritos, porém homens como nós. Conseguintemente, o inferno é um lugar físico, geográfico, material, uma vez que tem de ser povoado por criaturas terrestres, dotadas de pés, mãos, boca, língua, dentes, ouvidos, olhos semelhantes aos nossos, sangue nas veias e nervos sensíveis” (Idem, ibidem).

Aqui está o ponto fundamental deste artigo. A concepção dos infernos considera um lugar físico, material, semelhante ao mundo atual, todavia piorado. Não chega a luz do sol, não se percebe o suceder dos dias e noites, não há lua. Um cheiro insuportável de enxofre, fumaça, suor, sangue. Labaredas de fogo, caldeirões fumegantes. Desolação e sofrimento sem fim. É preciso considerar um Deus bastante vingativo que odeia muito aqueles que o desobedeceram para condenar alguém a viver eternamente nesse horror! É algo para se pensar à parte. Basta imaginar que uma inocente criança, simples e alegre em seu lar, nos braços de seus pais, cuidada com amor e carinho, mas que não tenha sido batizada! Arrisca, a coitadinha, de sair desse lar aconchegante e, depois do juízo, se ver sozinha, fugindo dos tormentos dos demônios, abandonada eternamente pelo seu criador!

A doutrina espírita oferece uma explicação bastante diversa da vida após a morte. Primeiramente, o mundo espiritual é também um lugar físico, mas cujas propriedades são completamente diferentes de nosso mundo. Enquanto aqui, se colocarmos pessoas de personalidades diversificadas, como a mãe de Jesus, um bandido, Herodes, camponeses e um filósofo genial, todos numa sala, e fizermos uma fogueira enorme, todos irão suar de calor, não importa o quanto difiram moral e intelectualmente. Ao levarmos esse mesmo grupo para o polo norte, todos iriam sofrer um frio lancinante, igualmente. O corpo físico de todos nós reage da mesma forma, conforme o ambiente físico no qual se encontra. Esse raciocínio valeria caso a vida futura ocorresse, como a doutrina das igrejas cristãs imaginam o céu e o inferno. Os espíritos superiores ensinam, porém, que o mundo espiritual tem a particularidade de ser influenciado diretamente pelo que pensam e sentem seus habitantes. É o inverso de nosso mundo. Aqui, o ambiente influencia nosso corpo (lugar frio esfria o corpo). No mundo dos espíritos, segundo o espiritismo, o corpo espiritual tem a propriedade de ser mais denso e materializado, quando o espírito está apegado às emoções e imperfeições, e torna-se leve, tênue, alcança distâncias, pode transpor-se para outros planos, quando o espírito evolui intelecto-moralmente.

Ou seja, um bom espírito ganha, pela constituição mesma de seu perispírito, a liberdade de agir, de ir e vir, de transportar-se pelos orbes. Enquanto isso, um espírito imperfeito, pela condição materializada de seu corpo espiritual, em virtude do padrão de seus pensamentos e sentimentos, tem reflexos das sensações materiais e vivencia as ILUSÕES do frio, calor, sede, fome, medo e tantos outros. São ilusões, mas com plena realidade pela subjetividade do próprio espírito, ao se manter prisioneiro de suas próprias escolhas! Quando uma diversidade de espíritos presos aos seus apegos, imersos na raiva, medo, vingança, inveja, materializam o perispírito e estão juntos, vão moldando o ambiente ao seu redor pela força de seu pensamento. Eles poderiam criar um ambiente agradável, belo, sublime até. Mas suas ideias fixas não deixam. Seus pensamentos densos criam ambientes escuros, pesados e desagradáveis. Mais ainda, não há um lugar onde os espíritos sofredores sejam jogados para sofrer. É o inverso. São os pensamentos e sentimentos densos, as imperfeições morais do próprio indivíduo, a causa do ambiente que ele cria para si.

O mundo espiritual é imanente a este, é bom lembrar. Nós, encarnados, estamos vivendo em dois mundos ao mesmo tempo. Aqui, com o corpo físico. E no mundo espiritual, com nosso perispírito. Não faz sentido, então, nos preocuparmos com o lugar que iremos após à morte. O raciocínio é outro! Onde já estamos no mundo espiritual agora? Segundo nosso padrão de pensamentos e sentimentos, estamos sintonizados, ambientados, em determinadas condições espirituais. Quem tem raiva constante, materializa também o perispírito. Quem se desprende, permanece sereno, vive em cada momento sua emoção adequada. Não se apega aos fatos passados, revivendo emoções passadas. Esse mantém seu perispírito leve, suave, desmaterializado. Céu e inferno são criações pessoais de cada um de nós. São escolhas livres, regidas por leis naturais. A autonomia é o fundamento da vida.

E como fazer para sair dessa situação difícil na qual se encontram muitos espíritos depois da morte? Há uma só saída: A vontade. Nenhum outro ser pode mudar o padrão de pensamento e sentimento do outro, só ele mesmo. Só muda quem quer mudar. Quando um espírito decide sair do sufoco e sofrimento que está vivendo, basta uma prece sincera a Deus, um apelo aos bons espíritos, e será imediatamente auxiliado, por alterar voluntariamente seus pensamentos! Não é preciso ficar absolutamente puro para mudar sua vida. Basta uma mudança em suas disposições morais, explicou Kardec. E isso está ao alcance de todos. Guarde esse ensinamento. Um dia ele poderá, certamente, lhe ser útil!

Maria Molambo fala um pouco sobre si

 


Estava tomando fôlego e em busca de inspiração para começar estes escritos. Escrever sobre os Guias, Mentores e Protetores de Umbanda sempre é um desafio, mesmo se convivendo com estes espíritos já a um bom tempo. O fato é que estas informações chegaram até nós. Como? Bem, isso é o que menos importa…

– Salve moleque, vamos escrever?

— Salve Senhora. Que bom servir, ser útil de alguma forma, meditava sobre isso para começar estes escritos! Claro, quando quiser.

— Que bom ouvir isso. Essa é a maior verdade que você pode refletir. Ser útil é reconhecer sua missão na Terra. Muitos já me perguntaram: Como descobrir minha missão? A resposta é simples. Apenas pergunte a si: O que eu, e somente eu, posso fazer que realmente fará a diferença onde estou? Essa é, sem dúvida, a melhor maneira de encontrar sua missão. Agora, mãos à obra.

Aviso que os fatos a seguir não estarão completos, pois nem eu mesma os conheço integralmente ou não os recordo por completo. Voltarei algumas reencarnações no tempo para que possam compreender todo o contexto. É importante saber que o acesso às vidas passadas não é permitido a todos os espíritos; muitos têm conhecimento limitado a uma ou duas existências anteriores, enquanto outras ficam bloqueadas, sendo reveladas apenas com o tempo e conforme as necessidades. No meu caso, retorno a uma encarnação que foi decisiva para minha queda como espírito imortal, desencadeando uma série de vidas posteriores impostas para sanar dívidas acumuladas. No entanto, a cada nova encarnação, repetia os mesmos erros, gerando ainda mais dívidas.

Pois bem, após este antigo espírito recuperar o fôlego, vamos explorar o Novo Império do antigo Egito. Pode parecer estranho esse jogo entre velho e novo, mas para mim parece ter sido ontem. Quando vocês conseguirem compreender que não sabem quando tudo começou, nem quando terminará, isso será de grande ajuda para aliviar suas ansiedades e medos, revelando a verdadeira noção de eternidade.

O ano era aproximadamente 1190 antes da era cristã. Permitirei omitir nomes e datas exatas, pois não farão diferença. Eu era então uma grande sacerdotisa do deus Amon. Não era a rainha, esposa do faraó, não se confundam. Esta, sim, detinha o título de Mão Divina, esposa e adoradora do deus. Eu atuava como seu braço direito, ou, na linguagem atual, sua suplente. Devo acrescentar que o que se propaga hoje sobre as religiões do antigo Egito não é totalmente fiel, mas posso afirmar que já naquela época elas mostravam sinais de decadência. O verniz da moralidade desmoronava com a menor provocação, e a religião já não expressava todo o poder que ostentara em tempos mais remotos.

Entre os letrados da época, ainda persistiam crenças singulares que revelavam concepções elevadas e espirituais da Divindade, aproximando-se de um monoteísmo mais puro. Embora fossem ideias de poucos, suas visões religiosas despertavam a ira tanto das massas quanto dos sacerdotes, profundamente ligados à crença nos deuses. Assim, se esse monoteísmo existia, representava o ápice das concepções espirituais que o indivíduo egípcio conseguia alcançar.

Contudo, esse não era o meu caso, nem o da nossa casta de sacerdotes e sacerdotisas. Ali, a continuidade dos ensinamentos religiosos era mais aparente do que real, externa, não interna. Imaginem quando esses ensinamentos chegaram a Roma. Lá, embora os primeiros imperadores erguessem templos segundo as tradições antigas e permitissem ser retratados com vestes de faraó, fazendo oferendas a deuses cujos nomes nem ousavam pronunciar, tudo isso já representava os suspiros finais daquela era e o prenúncio do Salvador. Desculpem-me por me alongar nesse ponto, mas creio que não faz tanta diferença, não é?

– Tem, sim, nobre Senhora. Desculpe, mas me atrevo chamá-la assim. Quanto conhecimento hein? Quantas lembranças…

— Não te acanhes. Senhora é respeitoso, e devemos respeito mútuo reciprocamente, vivos e mortos não? Vamos adiante!

Por ser sacerdotisa de um culto intensamente ligado à sexualidade, habituei-me a essa realidade. Eu era alguém que realizava desejos e “desejos”, pois, coitado daquele que não cedesse aos meus caprichos. Fui concubina de muitos poderosos da época. Ajudava-os a eliminar desafetos, levando um punhado de pessoas a fazer a viagem precoce para o mundo dos mortos — afinal, eu decidia o momento. Dominava o preparo de poções venenosas, e bastava que um dos meus amantes pedisse para que o pedido fosse imediatamente atendido. Por que fazia isso? Não preciso dizer que essa conduta não era permitida para mim como sacerdotisa. Arriscava-me a ter encontros secretos com meus amantes e, acima de tudo, poderia ser severamente punida por usar meus conhecimentos para resolver seus problemas. Mas tudo isso, além da satisfação de me sentir importante e desejada — pois minha beleza sempre foi minha aliada —, me garantia certas regalias. A sensação de poder que desfrutava elevava meu ego às alturas, e esse, sem dúvida, é um caminho perigoso e sedutor. Vejo muitos caindo nessa armadilha. O fato é que tramei a morte de muitos, inclusive de figuras influentes em Karnak. Tudo isso me condenou, tanto em vida quanto após a morte.

Ainda encarnada, quando a beleza já não dominava meu corpo como antes, o desejo insatisfeito e a perda de posição fizeram-me sentir a pior das mulheres. Os malditos piolhos, como ervas daninhas em nosso reino, se apoderaram de mim. A depressão que me acometeu, aliada à incapacidade de resolver tudo com minha magia, gerou uma ideia fixa em minha mente. Acreditava que meu título de sacerdotisa garantiria minha passagem para o outro mundo, e o suicídio parecia uma saída digna. Que engano… Eu havia seguido todos os ritos corretamente: todos os rituais para assegurar minha entrada no mundo dos mortos foram realizados por mim antes de tirar minha vida, mas, ao concluir o ato com um punhal, o desfecho foi outro…

Continua…

Diretores espirituais existem?

 

Pulula em vosso século a oferta de serviços religiosos. Consequentemente, na mesma proporção, os líderes religiosos. Mas, o que é ser um líder religioso?


Venho com esta provocação, motivado por um serviço ao qual me foi destinado recentemente. Quando alguém roga ao alto por auxílio, creiam: suas preces sempre são ouvidas, e dependendo da situação, alguém pode ser designado para averiguação mais profunda do caso e intervenção se necessário. Fui convocado por superiores para tal empreitada. Tratava-se de um encarnado na situação de diretor espiritual de agrupamento afro-religioso. Enredado por suas próprias ações no campo da magia, acrescido pelo mau uso da mediunidade, usada com fins econômicos, direcionando seus trabalhos espirituais para fins mesquinhos dos solicitantes; minha intervenção em socorro de nosso irmão encarnado limitou-se em produção de um relatório aos superiores. Consegui assisti-lo somente à distância durante alguns dias, devido à turba de entes infernais que já o secundam. Infelizmente, nosso irmão terá um triste fim, e aqueles encarnados que o rodeiam candidataram-se ao mesmo destino.

Um diretor espiritual, apesar de hoje muitos serem candidatos a tal vaga, raros existem sobre a face da terra na condição de encarnados. Prometem a paz, mas quando analisamos a paz oferecida pelos mesmos, não passa de esquecimento, ao quererem oferecer a paz que o mundo dá. Oferecem conexão com o mundo dos espíritos, quando eles mesmos não são assistidos senão por alguns obsessores. Outros ainda têm a pretensão de serem porta-vozes dos Orixás, quando não de Deus. Cobram valores em espécie para tudo em seu trabalho de direção espiritual — que não passa de charlatanismo —, sua boca enche ao falar de amor, caridade, do sagrado, são limpinhos e politicamente corretos. Tem tudo, menos o que faria deles um diretor espiritual. Pobres daqueles incautos que buscam nestes um farol para suas vidas, quando existe somente um farol…

Meus irmãos, atentem: um diretor espiritual precisa apontar um caminho, direcionar vosso espírito para algum lugar. Para onde vosso diretor espiritual tem apontado a estrada para seguirdes? Não esqueçam que somente um disse: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim. (João 14:6).

Um diretor espiritual deve ajudá-los a trilhar o caminho, apontando e reequilibrando sua caminhada toda vez que desviar a rota. Seus conselhos devem sempre estar em consonância com os Evangelhos, assim como devem sempre os lembrar do destino ao qual fatalmente estais caminhando: a morte, e seu julgamento por vossas ações sobre a terra.

Um abraço fraterno.

A Noite.

Um presente de Natal

 

Nestas épocas do ano, em especial o Natal, sentimos o cansaço do ano que está findando, e nos deparamos com uma página em branco que se coloca a nossa frente. São mais 365 dias a nossa espera para escrevermos nossa história. O ser humano é talvez o único animal que tem uma história, e que bom que é assim. Meditava então sobre o capítulo escrito no ano, e mais, sobre a época natalina, quando comecei a sentir uma espécie de formigamento bem familiar no meu braço direito, aliado a sensação de não estar sozinho. Sim, meu velho amigo vem me visitar:

— Salve menino! Quanto tempo hein?

— Meu Deus! Que grata surpresa, meu amigo “A Noite”. Estava com saudades e pensando em você.

— Sim. Por isso estou aqui. Esqueceu nossas conversas? Não lembras que para solicitar nossa presença (refere-se o autor espiritual aos Espíritos) basta o pensamento? Andavas ocupado e havia me esquecido não?

— Não negarei, meu pai. Muito trabalho tenho tido ultimamente. Mas quis Deus me presentear com a vossa presença nesta noite.

— O trabalho enobrece o Espírito. Portanto, aproveita que estou aqui e vamos ao trabalho, sempre o trabalho!

Nosso país, apesar de ostentar o título de ser uma grande pátria cristã, pouquíssimos entendem o que é ser cristão. O cristianismo não é, como se imagina, um conjunto de regras a se seguir. É muito mais que isso.

Ser cristão, é antes de tudo entender que o Cristo não é uma energia ou algo do tipo, mas uma pessoa real, alguém que temos a possibilidade de nos comunicar através da oração. Ele é o portador da graça, algo que ao entrar em contato com nosso espírito tem a possibilidade de modificá-lo, e fazer com que a natureza humana possa – de acordo também com nossa disposição, ser modificada e ir além, ou seja, ganhar uma natureza divina. Tudo isso é complicado, eu sei, e também não explicarei detalhadamente nesta ocasião. Faremos numa próxima oportunidade, mas o que coloco é suficiente para trazer luz a algo obscuro, principalmente em nossa seara umbandista.

A Umbanda é também uma das moradas do Cristo Jesus, onde reconhecemos Nele nosso salvador e redentor. Como diz o texto sagrado: “E o verbo se fez carne, e habitou entre nós”. Não deixa dúvidas sobre quem é de fato, Jesus.

Assim, meu caro escrivão, lembremos as palavras do nobre Caboclo das 7 Encruzilhadas em uma de suas últimas aparições incorporado em seu médium: “Meus irmãos: sejam humildes, tenham amor no coração, amor de irmão para irmão, porque vossas mediunidades ficarão mais puras, servindo aos espíritos superiores que venham a baixar entre vós; é preciso que os aparelhos estejam sempre limpos, os instrumentos afinados com as virtudes que Jesus pregou aqui na Terra, para termos boas comunicações e proteção para aqueles que vêm em busca de socorro nas casas de Umbanda”. E prossegue: “Tenho uma coisa a vos pedir: se Jesus veio ao planeta Terra na humildade de uma manjedoura, não foi por acaso. Assim o Pai determinou. Podia ter procurado a casa de um potentado da época, mas foi escolher aquela que havia de ser sua mãe, este espírito que viria traçar à humanidade os passos para obter paz, saúde e felicidade. Que o nascimento de Jesus, a humildade que Ele baixou à Terra, sirvam de exemplos, iluminando os vossos espíritos, tirando os escuros de maldade por pensamento ou práticas; que Deus perdoe as maldades que possam ter sido pensadas, para que a pa
z possa reinar em vossos corações e nos vossos lares. Fechai os olhos para a casa do vizinho; fechai a boca para não murmurar contra quem quer que seja; não julgueis para não serdes julgados; acreditai em Deus e a paz entrará em vosso lar. É dos Evangelhos”.

Não me resta muito a acrescentar. Está tudo dito há muito tempo. Lembrem-se irmãos: a Umbanda tem na sua base o Evangelho do Cristo Jesus. Seguir a Jesus é fazer o que Ele mandou, e rogar que sua graça desça sobre nós. Assim conseguirão ser realmente umbandistas; do contrário, serão apenas meros expectadores de algo que poderiam ser. Um feliz Natal e bom início de ano a todos.

Do amigo “A Noite”.